Os grandes eventos automotivos que conhecemos precisavam mudar. E a pandemia do coronavírus só antecipou a transformação
Hoje vou contar uma história aqui no WM1 que talvez muita gente não queira ouvir. Mas os tradicionais salões de automóveis, como conhecemos, já eram.
Os eventos, se voltarem a existir, deverão ser diferentes e totalmente distintos da forma como eram feitos, vistos e visitados até pouco tempo – especialmente o de São Paulo, que viveu 58 anos (1960-2018).
A tendência, segundo especialistas de todo o mundo, é que esses eventos se transformem em locais de negócios, demonstrações de tecnologias e – principalmente – possibilidades comerciais.
Como o WM1 viu acontecer na Agrishow, na semana passada, e como o mundo vê acontecer em todo começo de ano na CES, a feira de tecnologias de Las Vegas, nos Estados Unidos, onde as empresas apresentem novidades que vão além dos carros.
E tudo isso com um diferencial importante: a possibilidade de poder vender os produtos expostos aos visitantes que se mostrarem interessados. Por exemplo: segundo a RAM, foram mais de 50 unidades vendidas durante os cinco dias de Agrishow. Já fontes ligadas à Ford garantem que a empresa também negociou mais de 10 carros por dia na feira.
Vale lembrar que, no Salão do Automóvel de São Paulo que conhecíamos, o máximo que fabricantes podiam fazer era cadastrar o perfil do interessado e encaminhar o contato à concessionária, que só poderia fazer a venda fora do evento.
Gastar milhões em um espaço onde não é possível vender seu produto obviamente passou a ser desinteressante. Justamente por isso o perfil dos eventos mudou – e mais: diversas montadoras passaram a fazer eventos próprios.
Em todos esses eventos atuais, por sinal, há outra novidade: a interação. Na maioria delas, os visitantes podem entrar nos veículos e até fazer test-drives. Algo bem mais interessante do que simplesmente admirar à distância.
Faz mais sentido, né?
Como deverá ser o futuro Salão do Automóvel?
É fato que a proposta tradicional do Salão do Automóvel não “vira” mais. É clara a falta de interesse dos fabricantes em gastar tanto dinheiro para expor suas novas ideias em um mundo cada vez mais conectado, onde tais conceitos e novidades podem ser apresentados de forma mais rápida – e barata – com estratégias digitais.
Fontes ligadas aos fabricantes já conversaram com a reportagem do WM1 a respeito durante o último Salão, em 2018, e também um pouco antes do final de 2020, quando era para ter acontecido outra edição – que não rolou por conta da pandemia da Covid-19.
A posição é sempre a mesma, independentemente da marca: “você prefere gastar alguns milhões em um salão que proíbe a venda de carros ou a mesma grana em vários eventos próprios mais baratos e que trazem retorno muito mais positivo?”, argumentam.
A resposta parece óbvia.
Fonte:https://encr.pw/74ejQ








